quarta-feira, 7 de junho de 2017

Riobaldo e Diadorim - O encontro no Porto do Rio de Janeiro e a travessia pelo Rio São Francisco





SOBRE O DOCUMENTÁRIO 

Filme: Rio de Janeiro, Minas
Sinopse: O encontro de Riobaldo e Diadorim no porto do Rio de-Janeiro e a posterior travessia pelo rio São Francisco.
Ano: 1993
Gênero: Curta-metragem – formato 35 mm, colorido
Tipo: Ficção
Duração: 8 min.
Diretora: Marily da Cunha Bezerra
Fotografia: Kátia Coelho
Roteiro: Marily da Cunha Bezerra
Edição: Sarah Yakhni
Direção de arte: Kátia Coelho
Narração: José Mayer
Participação especial: Dona Didi, Manuelzão
Montagem: Sarajh Yakhni
Trilha Sonora: Badi Assad



https://www.youtube.com/watch?v=EkD5wfUl02c&feature=youtu.be

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

"(...) Às vezes amar é só um cafuné, um telefonema inesperado, um gesto cuidadoso. Peixe? Sal, azeite e fogo. Não tem erro. Massa? Manjericão e tomate. Mas daí a gente pensa: manjo! E, claro, é um erro enorme. (...) Mas insistimos. Difícil como fazer pão. Tem que ter paciência e saber que tem uma hora, um processo, que não depende de nós, que é lá com ele e sua vida íntima. E que não é garantido. Mais ainda, é preciso saber que, ainda que tudo dê certo, pão pronto e saboroso, nossa fome não finda nele. (...) Amar é como cozinhar, ainda, porque se precisa dos ingredientes certos. Mas o certo não é, necessariamente, o óbvio. (...) Bom, os ingredientes têm que combinar, outro insiste e eu concordo. Mas combinar é o quê? Sal com sal? Mas e o porco com abacaxi? O salmão com maracujá? O mais gostoso não é justamente quando a boca se surpreende num sem saber de gostos? Eu acho. Por isso gosto tanto de beijar. E comer. Por causa do inesperado. (...) Isso de se cozinhar é preciso ter vontade, como amar. E aceitar as limitações. E improvisar o omelete quando não há nada em casa a não ser temperos, ovo e um restinho de queijo."

(Publicado por Feministas na Cozinha)


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Um dia



Um dia, 
cada olhar será mais que uma luneta que aponta no céu a estrela mais longínqua.
Um dia, 
qualquer sorriso será como uma porta que ao coração oferece guarida.

Assim será quando todo alimento para a alma se encontrar não no outro, mas em si.
... e o mais próximo que puder chegar, o fará tocar com as mãos.





Por entre os dedos escorrerá água pura e cristalina e a criança que habita o peito poderá brincar tranquila a beira-mar.
Nesse dia renascerá em si a alegria verdadeira
e a beleza não será só contemplada,  mas será vivida.

Enquanto os pés tocarem a terra e para o alto não houver limites, a mente se alinhará com o mais puro sentimento,
o equilibrio moverá o universo e o amor, que a tudo rege,
plasmará em luz toda dor que um dia existiu.

Música: Across de river - David Arkenstone

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

CONSCIENCIANDO

Naquele tempo os dias eram sombrios como a noite, frios e escuros. A paz já não reinava havia muito tempo, até a chegada daquele homem ao povoado.
Tóta era um homem franzino, grisalho e corcunda. Veio pela trilha e, caminhando madrugada adentro, chegou silenciosamente com o romper da aurora. Nunca se ouvira falar naquele homem que, mesmo sem rumo certo, já tinha seu destino traçado.  
Quando o sol nasceu, Tóta estendeu sua mão e, levantando seu rosto ao céu, recebeu de Deus toda inspiração que precisava. Por trás dos cabelos espalhados no rosto por causa do vento, seus pequenos olhos azuis miravam dias de mais esperança no horizonte.
Então, com voz cálida pede:
- Óh! Grande arquiteto universal, criador de tudo quando há! Permita o merecimento da clareza na consciência para esse povo!
Fez-se um silêncio profundo.
Ao seu redor foram chegando os anciães do povoado. Como de costume quando da chegada de um visitante, traziam consigo cuias, incensos, frutos, sementes e flores... mas para Tóta haviam trazido algo mais: suas crenças e olhares quase que vazios, em busca de respostas.
Conduziram-no até a mais sábia dos anciães, que aguardava numa casa ali perto. Entreolharam-se. Uma energia circulou trazendo um sentimento de que se conheciam há muito tempo...
Tóta percebeu que o que causava a desunião daquelas pessoas é que ninguém mais enxergava de muito perto, ninguém. Todos se chocavam quando se aproximavam muito e viviam machucados, tentando manter a distância que não podiam prever.
A anciã pergunta, irrompendo o silêncio:
- Como podemos ter nos curar?
    Ora, algumas pessoas procuravam os anciães pedindo previsões, mas mesmo tendo recebido inspirações nas suas palavras, alguma força permeava o povoado impedindo que o povoado se enxergasse de perto.
Após fitar silenciosamente o horizonte por um tempo, Tóta respondeu:
    - Donde hay amor, hay dolor...
    E seguiu pela trilha quente e iluminada.



quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Aula de Teoria Literária II - Diretamente do limbo da inspiração, surge minha primeira crônica.


Des-conexão


   Sabe essas coisas que mexem com a gente?
   É bem o tipo de coisa que te faz ficar pensando, macerando... ruminando  o dia todo igual vaca no pasto.
  Assim deu-se a novidade. A moda agora é jogar um balde de água gelada em si mesmo!
   Eu havia visto alguns posts a respeito disso e para não dar ibope a qualquer “bosta virtual”, resolvi não submergir e não procurar saber mais do que a própria rede oferecia: superficialidade.
  Sei que estou só cooperando para que toda essa parafernália virtual, essa superficialidade, se fortaleça.  Mas a verdade é que  tenho preguiça do que é raso e acabo por não invadir o profundo e me apropriar dele com vontade. É preciso me apropriar.
    E foi aí que me entreguei ao ossobuco da coisa. Entrei pelo redemoinho do capricho de me permitir clicar numa chamada que dizia “Desafio do balde de gelo: porque as celebridades estão jogando água gelada na cabeça”.
   Ah, tá! É uma campanha que pretende arrecadar doações para serem usadas em pesquisas e tratamentos de pessoas com a doença Esclerose Lateral Amiotrófica , que acomete brasileiros mas... apresenta maior índice nos EUA, de onde partiu essa campanha. A ideia é que,  quando as pessoas se molham com a água muito gelada,  a sensação remete a dor  que sente os acometidos pela doença.
   Pois então, era tudo isso?  Só não vou berrar “meu fi, vá arrumá uma lavagi de ropa!”, porque , até onde sei, tá faltando muita água por aí! Tem gente que o que tem é uma água turva e mal cheirosa em casa. Tem gente que nem tem.  Tem gente tomando capuccino. E tem ainda, gente lavando calçada, lavando o carro... e tanta campanha combatendo tudo isso. Uma miscelânea.
   E enquanto isso até o Nicolas Berh tá fazendo propaganda de incentivo ao pagamento do IPTU.

   Que discrepância!