quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Aula de Teoria Literária II - Diretamente do limbo da inspiração, surge minha primeira crônica.


Des-conexão


   Sabe essas coisas que mexem com a gente?
   É bem o tipo de coisa que te faz ficar pensando, macerando... ruminando  o dia todo igual vaca no pasto.
  Assim deu-se a novidade. A moda agora é jogar um balde de água gelada em si mesmo!
   Eu havia visto alguns posts a respeito disso e para não dar ibope a qualquer “bosta virtual”, resolvi não submergir e não procurar saber mais do que a própria rede oferecia: superficialidade.
  Sei que estou só cooperando para que toda essa parafernália virtual, essa superficialidade, se fortaleça.  Mas a verdade é que  tenho preguiça do que é raso e acabo por não invadir o profundo e me apropriar dele com vontade. É preciso me apropriar.
    E foi aí que me entreguei ao ossobuco da coisa. Entrei pelo redemoinho do capricho de me permitir clicar numa chamada que dizia “Desafio do balde de gelo: porque as celebridades estão jogando água gelada na cabeça”.
   Ah, tá! É uma campanha que pretende arrecadar doações para serem usadas em pesquisas e tratamentos de pessoas com a doença Esclerose Lateral Amiotrófica , que acomete brasileiros mas... apresenta maior índice nos EUA, de onde partiu essa campanha. A ideia é que,  quando as pessoas se molham com a água muito gelada,  a sensação remete a dor  que sente os acometidos pela doença.
   Pois então, era tudo isso?  Só não vou berrar “meu fi, vá arrumá uma lavagi de ropa!”, porque , até onde sei, tá faltando muita água por aí! Tem gente que o que tem é uma água turva e mal cheirosa em casa. Tem gente que nem tem.  Tem gente tomando capuccino. E tem ainda, gente lavando calçada, lavando o carro... e tanta campanha combatendo tudo isso. Uma miscelânea.
   E enquanto isso até o Nicolas Berh tá fazendo propaganda de incentivo ao pagamento do IPTU.

   Que discrepância!